quarta-feira, janeiro 26, 2005

Covões substitui Almadafe

As leituras matinais têm destas coisas. No Público de hoje a revelação surge nua e crua. Paulo Teixeira Pinto foi nomeado sucessor de Jardim Gonçalves, à frente do BCP Milennium. «E o que é que nós temos a ver com isso»? - pergunta o leitor e com razão: bom, é que o senhor é proprietário de um monte nos Covões, e presença regular por estas bandas, sendo visto muitas vezes, por exemplo, a «petiscar» no Montinho.

Sendo assim, o local mais «in» do concelho - a Tasca do Montinho - apesar de ir perder a frequência do actual ministro das finanças (pelo menos nessa qualidade...) acaba por ganhar com a troca. É que entre um ministro das Finanças sem dinheiro, e o presidente do maior banco português não há comparação possível...

Vejamos então como é que a Ana Sá Lopes, jornalista do Público, nos apresenta o novo banqueiro:

«O homem que, aos 44 anos, vai presidir ao maior banco privado português, foi porta-voz do governo de Cavaco Silva, quando ocupava as funções de secretário de Estado da Presidência. Nessa altura ainda era independente - filiou-se no partido depois da derrota de 1995, ano em que começa a trabalhar para o BCP. Está na primeira linha dos combates contra a regionalização (integra o movimento Nação Unida) e pelo "não" no referendo sobre o aborto.
Católico praticante, este homem de 44 anos, próximo da Opus Dei, organização católica a que também pertence Jardim Gonçalves, é uma voz singular na direita, tendo-se recusado sempre a seguir a cartilha partidária ou mesmo a "cartilha de tendência". Defende, por exemplo, a despenalização total das drogas, tendo chegado a fazer parte de uma organização anti-proibicionista, onde pontificava o psiquiatra Eurico de Figueiredo, outrora porta-voz do PS para a saúde. É uma posição fundamentada no direito individual e no combate às máfias que nascem à sombra do negócio da droga, mas admite que a sua colocação em prática não pode ser feita por países isolados.
Foi dos raros cavaquistas que apoiou Pedro Santana Lopes na sua ascensão ao cargo de primeiro-ministro. Desde esse famoso congresso do PSD de 1999 que Teixeira Pinto admitia que o PSD viesse a fazer a experiência populista e, quando chegou a hora de Santana, apoiou. Mas depressa se desiludiu: ao contrário da palavra de ordem social-democrata do momento, Teixeira Pinto defende que o Presidente da República fez bem em dissolver o Parlamento, convocando eleições antecipadas. É um feroz adversário da integração europeia e consequente perda de soberania, tendo-se destacado como opositor à constituição europeia. Neste momento, o seu grande objectivo político era a candidatura de Cavaco Silva à Presidência da República, da qual era um dos "homens-sombra". Resta saber até que ponto as novas funções no BCP lhe perturbarão o trajecto.
É casado com Paula Teixeira da Cruz, advogada, a dinâmica ex-vereadora do PSD na Câmara de Lisboa que entrou várias vezes em conflito com João Soares. Têm dois filhos.

terça-feira, janeiro 25, 2005

Este é que é o presidente da junta...

Com a devida vénia a Tatiana Alegria do IOL, reproduz-se aqui a entrevista ao melhor presidente de junta de freguesia do país. O Herman José que se cuide. Este é que é o presidente da Junta...

«Carlos Torres não gosta de dizer que é o melhor presidente de junta do país. Nem sequer gosta que lhe chamem presidente da junta: «Estou, não sou presidente».
A razão porque alguns defendem que este gestor é o "rei" das autarquias portuguesas é ter ganho o primeiro prémio num concurso nacional de excelência autárquica, atribuído pela Secretaria de Estado da Administração Local, em 2003. O PortugalDiário ouviu as suas explicações para esta distinção.
Qual a razão deste reconhecimento do Governo? O que fez o presidente da junta desta freguesia rural no Norte do país de tão especial?

Tive a sorte de conseguir motivar as pessoas. É fundamental trabalhar com a população. Uma coisa é os funcionários da junta fazerem um jardim e terem de o manter. Outra coisa é envolver a comunidade na feitura desse jardim e serem os habitantes a tratar dele. Nós temos uma publicação mensal (feita por mim, desde o texto às fotografias!) e tudo o que as pessoas fazem em benefício da comunidade, sai nesse jornal. E é assim que se gera a motivação, criando um certo espírito de competitividade entre as pessoas.
As pessoas trabalham de graça?

Não ganham nada. Ganham um monte de trabalho! É que não é só fazer, é preciso conservar. 50 voluntários estiveram envolvidos directamente nos projectos que transformaram lixeiras em jardins. E depois temos casos de disponibilidade pontual, em que uma pessoa ajuda a junta a alargar um caminho ou a fazer um muro.
Que mais conseguiu fazer durante este mandato?

O meu objectivo era mesmo aproximar as pessoas à junta. Disponibilizámos uma quantidade de serviços aqui na sede como um fax, acesso à internet, pagamento de impostos, fotocópias e a prática de actos notariais. Também vamos instalar uma caixa de multibanco aqui na junta, que foi uma luta, porque é difícil convencer um banco que se justifica vir para tão longe fazer os carregamentos.
E fizemos muito no que toca ao alargamento dos caminhos: Santa Leocádia é uma freguesia com 750 hectares e com um terreno muito montanhoso. Quando cheguei havia caminhos onde não passava uma ambulância. Isso passou a ser uma excepção. Claro que ainda existem muitos problemas na freguesia. Não existe rede de saneamento e a recolha de lixo não chega a mais de metade das pessoas.
E dinheiro para pagar isto tudo?

Sou um "coca-bichinhos"! Estou sempre a esgravatar para ver onde posso ir buscar mais um pouquinho de dinheiro. Até se consegue dinheiro para se fazer as coisas com apoios do Governo e através de protocolos assinados com a Câmara. Uma das vantagens do prémio de excelência autárquica é que a comparticipação do Estado nos vários projectos passa de 50 para 70 por cento.
Mas ser presidente da junta com uma população de 1500 pessoas é como gerir uma grande empresa. É preciso estar sempre à procura de oportunidades. Por exemplo, o corte de árvores dos baldios da junta rendeu perto de cem mil euros. Parte desse dinheiro vai para o combate aos fogos e parte vai para alargar mais caminhos.
Mas a junta não conta com nenhum dinheiro certo?

As receitas de uma junta de freguesia são poucas: 500 euros por ano pelas licenças de cães e outros 500 euros de declarações e atestados. Do Governo, no nosso caso, recebemos seis mil euros de três em três meses. E depois temos os protocolos com a Câmara, que dependem muito dos executivos autárquicos. Não são garantidos.»

Afinal de contas, até nem é difícil... Manel

terça-feira, janeiro 11, 2005

«Maranhão 2004» a explicação necessária...

Julgo que não servirá de nada dizer que tive com varicela e depois duas otites apanharam-me o juízo e, por via disso, não tive disposição para voltar ao blog.

É evidente que o «Desabafos» tem toda a razão: dez dias para votar – ainda por cima sem direito a campanha eleitoral – é muito pouco tempo. Assim, é desde já aceite a sugestão do Poolman e as urnas vão permanecer abertas até ao fim deste mês. Até porque a cifra de 30 eleitores está ainda muito longe de ser atingida. Afinal, parece que o pessoal gosta mesmo é de dizer mal. Quando se trata de nomear alguém pela positiva, cala-se tudo... ou então não há ninguém para nomear. Nem sequer os autores dos blogs e portais cá do sítio se dignaram a mandar uma boca!

Eu sei que os anarcas diziam que «se o voto é a arma do povo, não votes que ficas desarmado», mas aqui não estamos em guerra... Manel

domingo, dezembro 26, 2004

Festas Felizes

Não sei se do Natal ou do frio, o certo é os blogueiros cá da terra hibernaram. Eu ainda tenho desculpa, pois fui passar a consoada com os meus tios e primos, e almoçar com a minha mana, com a minha avós e outros tios e prima.

Mas agora que estou de volta – e com muitas desculpas à mistura – aproveito para desejar aos que passam pelo «O Maranhão», festas felizes e um ano de 2005 com tudo de melhor.

E um ano destes, talvez consiga ficar por cá, para ir dar uma espreitadela à fogueira do Ervedal. Só espero é que esta bonita tradição se mantenha o tempo suficiente para eu a poder ver. Manel

Actualização: Disseram-me agora que em Benavila também fazem uma grandiosa fogueira na noite de Natal. Está visto que tenho de ir ao Ervedal com o Pinheiro e a «Bena» com o Xico...

quinta-feira, dezembro 23, 2004

Nova imagem

Aquela coisas das bolinhas já me estava a chatear. Agora que já sou um puto crescido, mereço um blog com um aspecto mais credível. Como é costume dizer: «Ano Novo, Vida Nova».

E aproveito a embalagem para desejar a todos um bom Natal e um próspero ano de 2005.

E vejam lá se não se esquecem de votar na «Figura Avisense de 2004». Já recebi alguns mails, mas para a «nomeação» ter alguma representatividade são necessários, pelo menos, 30 citações. Manel

quarta-feira, dezembro 22, 2004

Carta do Brasil II

Voltámos a ter notícias do Brasil. Transcrevo o mail recebido e lanço o apelo, a quem puder e souber, para ajudar este nosso «conterrâneo» a completar o seu trabalho. Será que a Dra. Marta não pode dar uma ajuda? O mail para responder está num post aí em baixo...


Na condição de natural do Estado do Maranhão, estou fazendo uma pesquisa sobre a origem do topônimo Maranhão, no Brasil. Durante séculos, muitos escreveram falácias sobre o assunto, inclusive, dando azo ao advento e registro de devivações pejorativas envolvendo o sentido étimo do termo. Felizmente, já consegui várias comprovações e valiosos informes que nos levam a crer que o topônimo nasceu entre nós por inspiração dessa antiga freguesia de Maranhão, em Portugal, solo vizinho da lendária e poderosa Avis de passado.
Recebi informes sobre um precioso livro existente na Biblioteca de Avis, denominado "Antoponímia da Lingua Portuguesa" - de autoria do destacado filólogo português, o ilustre Doutor J. Leite de Vasconcelos que, em 1928, pronunciou-se bastante conclusivo nesse sentido. Aliás, tenho em mãos as valiosas páginas 59 a 61 de sua valiosa obra. Infelizmente, os referidos textos aqui chegaram bem opacos, por terem sido enviadas anexos em forma de fotos escaneadas. Muito me agradaria tê-las de forma bem mais claras, a fim de que possa anexá-las ao file de pesquisa que estou realizando, a título comprovatório. Sei que o ideal seria o envio de xerox´s, via ´postal, mas sei que isso já seria pedir demais.
De autoria do escritor Mário de Saa, datada de 1922, há também excelentes registros nesse sentido, através da valiosíssima obra "Camões no Maranhão", Coimbra, 1922.
Ficaria bem feliz se o prezado amigo me pudesse aduzir algo neste sentido ou, quem sabe, acrescentar algo mais inerente à época pretérita em que foi fundada ou juntada a Avis a nossa querida freguesia do Maranhão portugês. Ao final, com certeza, estariamos ajudando a elevar a auto-estima de nossa gente. Nesse sentido, teríamos como contestar a concepção pejorativa havida em nossa língua, mormente no início do séc. XVII, na qual envolveram o substantivo "maranha" , do espanhol maraña, tornado "maranha+ão" e preferiram deixar de lado a forma verbal "emaranhar", há muito existente em nossa língua, razão efetiva do referido topônimo.
Muito me agradaria receber algumas informações pretéritas desse valoroso Maranhão, terra dos Camões, que é parte de Portugal, o nosso avôzinho.
Com antecipados agradecimentos, envio-lhe votos de Feliz Natal extensivos aos seus familiares e a todos os demais irmãos lusitanos.

terça-feira, dezembro 21, 2004

Prémios Maranhão 2004

Com o aproximar do fim do ano é tempo de balanço. É também, para mim, o balanço do meu primeiro ano de vida. E como qualquer blog que se preze tem uma lista de premiados aqui ficam os «maranhão 2004», para distinguir os «melhores» avisenses da blogosfera (por ordem alfabética)

Avistando o Cosmos, porque é uma prova de que a excelência pode estar em qualquer lugar. Afinal de contas, em Avis, também há estrelas.

Desabafos, pela irreverência, maluquice, e boa disposição

Do Castelo, por à falta de um jornal em papel, ser aquele que mais se aproxima disso, prestando como tal um serviço público.

Portal de Avis, porque o jarmando teve uma grande ideia e que ainda por cima funciona.

E já agora, quero deixar aqui um desafio: vamos eleger a personalidade «avisense» do ano. Podem votar por mail (cada morada um voto), e os resultados só serão divulgados se recebermos mais de 30 votos.

Ajuda, se disserem um nome e o motivo da escolha. O prazo é até às 24h00m de dia 31 de Dezembro.
A urna de voto está instalada em
maranhao@iol.pt e prometemos que não faremos batota... Manel

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Recital de Natal
Não há fome que não dê em fartura, diz o povo, e esperemos que tenha razão... No sábado à noite, a nossa pacata vila viveu dois momentos musicais em simultâneo. Enquanto a malta mais nova abanava o capacete ao som dos X-wife, os melómanos puderam assistir a um recital de música barroca, organizado pela Câmara Municipal, na Igreja do Convento. Eu, como é bom de perceber pelo post anteiror não meti lá os butes, mas a minha mãe foi e disse-me que a casa estava cheia e o espectáculo foi excelente. O meu pai que mesmo quando o Benfica ganha, nunca está satisfeito, é que começou logo a mandar vir e a dizer que gostava ouvir era jazz... Talvez o Woody Allen – que vai tocar ao Casino do Estoril na passagem de ano – se lembre de passar por cá para dar umas «assopradelas» no clarinete. Manel
Avis ao Vivo
Por causa da varicela, não pude lá ir, mas o meu pai deu lá um salto na sexta-feira à Taberna, e no sábado ao colóquio, organizado pela «Gente» e que versava «A desertificação Humana no Alentejo».
O José Carlos Albino – que foi presidente da Esdime, de Messejana – introduziu com clareza o tema e depois o pessoal pôs-se à conversa. Poucos, mas bons... Daquilo que se disse há uma coisa a reter: este processo de despovoamento não é irreversível e, nas nossas mãos, está uma parte da solução do problema. Em síntese: há que definir objectivos estratégicos, ser criativos, não baixar os braços, trabalhar, criar empregos (mesmo que sejam poucos) para evitar que mais gente saia e estimular pessoas de fora a instalarem-se aqui nas redondezas.
No que me toca respeito a mim, vejam lá se resolvem a questão. Quando fôr crescido preciso, no mínimo, de 21 putos mais ou menos da minha idade, para podermos fazer duas equipas de futebol... Manel


Prezados Senhores:
Na condição de brasileiro nascido no estado brasileiro do Maranhão, muito estimaria se me fosse enviado um pequeno relato sobre a data da fundação da Freguesia do Maranhão, em Portugal, bem como alguns aspectos históricos, tais como sua integração ao conselho de Avis. Gostaria de saber se foi o rio português que deu o nome à Freguesia do Maranhão, bem como quaisquer outros detalhes que envolvam o assunto.
Na expectativa de uma resposta satisfatória, antecipo agradecimentos pela atenção que for dispensada ao presente, subscrevendo-me, com elevada estima apreço mui atenciosamente

José Herênio de Souza
herenio@uol.com.br
Rio de Janeiro - Brasil

Carta do Brasil
Recebi um pedido de esclarecimento deste amigo brasileiro. Como sei pouco sobre o assunto limito-me a transcrever os dados de 2001 publicados no livro «Freguesia e Concelhos de Portugal» que o JN está a editar aos domingos. Se alguém quiser acrescentar mais alguma informação, faça favor de usar o mail aqui de cima...

Área total - 71.3 km2
Densidade Populacional - 1.4 hab/km2
População Residente - 98 indivíduos
Edifícios - 113
Núcleos Familiares Residentes - 30
Orago - São Domingos


As actividades económicas são essencialmente a agricultura e a pecuária.

É nesta freguesia que se encontra o conjunto megalítico da Herdade da Ordem que é composto por sete monumentos e constitui o maior conjunto do concelho.

A festa do Maranhão decorre no terceiro sábado de Julho.

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Primeiro aniversário
Há muitas luas que não punha aqui os pés. No entanto, hoje, justifica-se plenamente o aparecimento para informar (os mais distraídos...) que faço um ano. Não o blog, mas eu mesmo.
Ainda parece que foi ontem que vi a luz do dia pela primeira vez, e já estou quase a ir para a tropa, seja lá isso o que for. Certo, é que já me aguento nas canetas e, mais dia menos dia, faço intenções de correr atrás da Mariana, e, se for preciso, à frente do pai dela. A propósito: a miúda está quase a fazer também um ano (30 dez). Só não vou à Muralha pagar um copo aos amigos porque, infelizmente, apanhei varicela e não a quero passar a ninguém. Mas se virem por lá o meu pai, cravem-lhe um copo que depois acerto contas com ele... Manel

terça-feira, outubro 12, 2004

Obrar sai caro
No passado fim e semana fui à capital do império. Os meus pais aproveitaram e foram-se aviar a uma grande superfície lá do sítio. Eu fiquei em casa da minha tia. Quando chegaram das compras o meu pai, vinha com cara de chateado. E quem levou com o mau feitio fui eu. Chegou ao pé de mim e disse: «A partir de agora, em Avis, vais ter de obrar menos. Não estou para cada vez que mudas de fralda, pagar mais 30 cêntimos do que se estivesses em Lisboa». Fiquei sem perceber patavina até ouvir a explicação que a minha mãe estava a dar à fada-madrinha. Parece que o preço das fraldas em Avis é mais do dobro do que nos supermercados. Ora se elas são feitas todas no mesmo sítio, e, apesar de tudo, aqui a 40 quilómetros (em Estremoz ou Ponte de Sor) os preços são mais baratos, porque é que há esta exagerada diferença de preços? Estou a ver que quem se vai lixar sou eu. Como o meu pai é maluco ainda me mete alguma rolha só para poupar uns cobres. Manel
Meninos e meninas...
Não sei muito bem o que é que está para acontecer, mas o meu pai comentou que tinha ouvido dizer que ia abrir, brevemente, uma casa de meninas cá pela terra. Considero isso uma discriminação. Então e eu?! Lá por ser menino fico na rua?... O que é que as miúdas são mais que eu para terem direito a uma casa e aqui o «je» népia? É claro que as raparigas têm brincadeiras muito próprias, e eu, ainda não me estou a ver a brincar com bonecas. Talvez daqui a uns tempos, consiga convencer o Henrique a ir lá comigo para lhes perguntar se não querem jogar com as nossas bolas... Manel

quarta-feira, outubro 06, 2004

Mamarracho
Será que a empresa a quem foi adjudicada a montagem dos stands da Feira Franca faliu? Só assim se pode explicar a continuada permanência, no Largo do Convento, do reboque que, presumo eu, contém o (ou parte) do material que serviu para fazer as «barracas». O que é mais estranho é a GNR-BT, tão diligente a matraquear a cabeça aos condutores de Avis por «dá cá aquela palha», aparentemente não tomar qualquer providência.

sábado, outubro 02, 2004

Os bloggers mais crescidos de Avis devem ter ido todos de férias. Liguei a net para ver se descobria alguma informação sobre o assalto às instalações dos Paços do Concelho (com tribunal e finanças incluido) e népia... Lé vou ter de esperar que O Do Castelo investigue e depois conte o que é verdadeiramente se passou...

sexta-feira, setembro 24, 2004

A blogosfera tem destas surpresas. E se houvessem prémios o blog deste nosso conterrâneo ganhava um de certeza. Às vezes, passamos tanto tempo a olhar para os nossos umbigos que nos esquecemos de olhar para as estrelas. E elas há-as muitas e variadas, sós ou juntas em constelações. Talvez o astrónomo me ensine a olhar para o céu quando me aguentar nas canetas. Até lá, tenho de me contentar com as estrelas que a minha mãe desenhou na parede do meu quarto: não brilham tanto como as outras, mas são lindas como ela. Manel

quinta-feira, setembro 23, 2004

Descobri um desenho da minha mãe num blog cá da capital. Até aqui tudo bem. Eu até sei – já quase há um ano – que ela faz uns rabiscos, agora que tinha um blog é que é uma novidade para mim.

Ainda por cima, foi preciso ler os blogs da concorrência para saber da marosca... É claro que lhe disse logo que achava que ela era muito preguiçosa; com um blog tão giro e uma ideia tão engraçada, não mete lá nada há muitas luas.

Já podia ter posto, aquelas coisas que as minhas amigas joana e kika fazem para pôr nos dedos e nas orelhas que são muita nice.

E fotos?! há para aí muitos bate-chapas que fazem bué de retratos fantásticos. Isto para não falar das fotos que ela está farta de dizer que vai fazer na oficina do mestre Passita e do Mestre Manel.

Ainda por cima, depois desta conversa toda, ainda tem a lata de me dizer que não se lembra da password. Com uma mãe destas, se eu sair despassarado, depois não me culpem... Manel

terça-feira, setembro 21, 2004

Esta foi a minha primeira Feira Franca. E devo dizer que gostei. Aliás, quando a coisa me deixava de interessar, a chucha e a fralda entravam em acção e lá passava pelas brasas uns bocaditos.

Algumas notas sobre a Feira:

1. Mais uma vez, o sr. Francisco Alexandre conseguiu surpreender-nos; a ideia das ferramentas é uma espécie de dois em um: dá para admirar a qulidade do seu domínio técnico na arte de esculpir a pedra e ajuda a preservar a memória de instrumentos de trabalho, alguns deles já em desuso. No entanto, as peças em Madeira – novidade absoluta – é que me encheram as medidas...

2. A Ana voltou a ocupar o espaço do Posto de Turismo. E desta vez também mostrou que é uma rapariga que gosta de desafios: O desenho deixou de ser rei e senhor e entre os trabalhos apresentados, apareceram óleos sobre telas.

3. A exposição de fotografia apresenta uma qualidade média muito boa. Foi de certeza difícil escolher os premiados. Foram aqueles, mas outros podiam ser. Como continua aberta, se não passou por lá na Feira Franca, ainda lá pode ir cuscar.

4. Num espaço pequeno mas muito bem organizado, foi possível «Olhar o Tempo» e fazer uma «Aproximação ao Património Arqueológico de Avis». Devo confessar que foi o espaço que mais me tocou. Não tanto pela quantidade e qualidade dos achados expostos, mas porque percebi que existe gente nova em Avis que está a ser iniciada – no âmbito do Clube de Arqueologia – nesta aventura que é tentar perceber o passado através de pequenas (ou grandes...) pistas que foram ficando por aí «semeadas».

5. As tascas estavam o costume: tudo como dantes, quartel general em Abrantes... É certo que há constragimentos de espaço que levam a ir para soluções culinárias mais fáceis. E o frango assado até se come bem. Mas se queremos que cada vez mais gente nos visite, tem de haver uma aposta continuada na cozinha tradicional da Região. É pena ver que o esforço para promover, por exemplo as Migas – que o ano transacto foram objecto de um festival – não é depois aproveitado para serem apresentadas como uma oferta diferenciadora do concelho.

6. Os espectáculos são o que são. O profissionalismo de Abrunhosa foi o que se estava à espera; os Fingertips, de ainda pouco conhecidos, foram para muitos uma desilusão; e o Ballet da Bielorrússia cumpriu as expectativas a cem por cento.

7. Será possível melhorar a Feira? Deve manter-se no mesmo local, cumprindo a tradição, ou deve estender-se a outros lugares da vila, criando vários polos de animação? Deve continuar a ser só três dias, ou deve estender o seu calendário, como por exemplo fazem no Crato?

Vou pensar nestas questões e, num próximo post, direi de minha justiça. Manel

quarta-feira, setembro 15, 2004

Isto dos blogs é como as cerejas: quanto mais «pósto», mais apetece postar...

Aproxima-se, rapidamente, (amanhã às 18h30m) mais um jogo do glorioso. Desta vez, calhou aos eslovacos o previlégio de receberem na sua terra o clube mais popular de Portugal e arredores. Ontem jogou o FC Porto e até nem começou mal. Apesar de tudo, o empate permitiu-lhes amealhar um precioso ponto e só no fim é que se fazem as contas.

Agora o que eu estranho é o telemóvel do meu pai não ter tocado a dar sinal de mensagens no fim do jogo. É que já estava habituado a ouvir, primeiro vários toques e depois os comentários – impublicáveis – do velhote...

Com tantos portistas que há aqui pela terra, corre-se o risco do xanax esgotar na farmácia. Não desesperem, afinal de contas, ontem, vários ex-portistas sairam vencedores: Mourinho, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira, no Chelsea; e Deco, no Barcelona. Ai que saudades, ai, ai..
Antes de mais, é «politicamente correcto» dar as boas vindas ao «politicamente incorrecto». No entanto, quer me parecer que tem de se esforçar mais para fazer jus ao título do blog.

Afinal de contas, infelizmente, dizer mal de políticos e da política a torto e a direito, é o pão nosso de cada dia. Logo, de tão usual, tem pouco de «politicamente incorrecto».

Acho até que nos nossos dias, ser incorrecto é defender a actividade política (não confundir com políticos incompetentes ou corruptos) e tentar trazer os cidadãos para a discussão dos problemas que lhe dizem respeito.

Mais do que discutir nomes ou siglas o que importa é discutir temas e estratégias.

E a poesia de José Régio pode ajudar-nos a isso:

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou - Sei que não vou por aí!