quinta-feira, maio 22, 2008


Tem aqui um quarto com o nome dele – o quarto do Torcato -, mas não vai voltar a usá-lo; Deixa amigos – vários – a quem ofereceu livros, fez entrevistas, conversou e desconversou; Já era um pouco de cá. Sentia-se bem aqui. Gostava dos cozinhados da Nazaré e das favas guisadas do sr. João; As minis com o Carmo e o Paulo sabiam-lhe bem; As sestas, preparavam-no para as noitadas no quintal: «Gosto dos teus amigos, pá», dizia-me. Falava de agricultura e toiros com o Quim, de política com o João e o Zé, de literatura com a Anabela e a Teresa; de tudo com todos: com as Ritas, o Zé Luís e a Luísa, com os João, com o Víctor, a Mimi, a Ilda... Ao telefone perguntava por eles e não se cansava de contar a rir como o Chino o tinha tentado convencer a aceitar um pato vivo. Partilhámos aventuras, alegrias e desilusões. Partiu ontem não sei para onde. Se soubesse havia de lá ir buscá-lo!

Morreu o "Desvairadão", ínclito bracarense, anarco-surreal-situacionista, de cuja prosa elegante e truculenta todos beneficiamos. Companheiro de todas as fronteiras, aristocrata das ideias, o Torcato vai fazer muita falta. Sejamos sérios, anda por aí muita canalha que vai desatar a insinuar que ele foi um grande jornalista... mas... tinha o defeito de odiar certos reflexos do poder económico no texto jornalístico de alguma fauna de futuros administradores. Com Torcato vai-se a prosa mais cáustica e terna da nossa depauperada imprensa cultural. Sossega camarada, vamos vingar-te!
Barcaro, in site do PÙBLICO

quarta-feira, maio 14, 2008


Como é possível...


...não saber que a Escola Mestre de Avis tem um blog?!!! E, ainda por cima actualizado, coisa qe começa a ser raro aqui por estes sítios.

segunda-feira, maio 12, 2008

Feira Medieval

É certo que o tempo não ajudou, mas a nova versão da Feira Medieval estava muito catita. Percebe-se a tentativa de espraiar os feirantes pelo Centro Histórico e - apesar de à partida achar uma boa ideia - o facto de ter estado menos gente do que seria expectável, não me deixa ter uma opinião definitiva sobre a questão.
Fica, no entanto, a confirmação sobre a valia dos «artistas» e das suas performances. E o mesmo vale para os alunos da Mestre de Avis que se portaram à altura com a apresentação do Auto da Feira. Há ali matéria prima que muito promete em termos teatrais. Actores e encenadores (leia-se professores) os meus parabéns.
Para o ano há (deve haver, digo eu...) mais. Até lá vejam as fotos no poolman...

quarta-feira, maio 07, 2008

VI Jogos Florais de Avis

É já no próximo dia 17 de Maio que terá lugar no Auditório Municipal a sessão de encerramento e a entrega de prémios dos VI Jogos Florais de Avis, organizados pelos Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultutral.
Aqui o escriba, este ano, aventurou-se a concorrer na categoria de conto e acabou por -sabe-se lá como?... - ser distinguido com uma Menção Honrosa.
Para memória futura, aqui fica a «obra» que enviei a concurso:

Pouca terra, pouca sorte

O ambiente estava tenso. O fumo dos cigarros não deixava ver dois palmos à frente do nariz. As faces fechadas em volta da mesa compunham a fotografia. Ao fundo ecoava um ruído que fazia lembrar um disco a rodar em morte lenta. De repente, uma voz: «rien va plus!». A esfera raspou a roleta. Segundos depois, a sentença: «Vermelho, 12».

* * *

As sopas deixavam-se comer. Joaquim e Margarida, sentados, faziam-lhes a vontade. No móvel, a televisão temperava a refeição. Era o único som na cozinha. «Vamos agora proceder à extracção dos números do Totoloto», anunciou a rapariga. Joaquim mirou o aparelho de soslaio: «Ó Guida, muda aí o canal».

* * *

Três fichas. Apenas três fichas. Era agora ou nunca. Puxou uma passa do cigarro e colocou-as no 33. Negro. Saiu vermelho. Passava das três. Noite escura como breu. Mãos na gabardine, passo estugado, desceu o jardim rumo à estação do comboio. Sacou dos trocos e comprou o bilhete na máquina. Em frente, o mar.

* * *

«Raio de tempo este», exclamou para ninguém. Ao lado, a mulher, nada disse. «Farta-se um homem de trabalhar, e é isto»... continuou ele. «Quando faz falta, não aparece, e quando não é precisa, lá vem ela... Pouca sorte a minha», protestou.

* * *

Apesar de Inverno, a noite estava amena. Atravessou a linha à descoberta da praia. Maré baixa. Puxou de um cigarro. Era o último. «Talvez seja um sinal»... pensou.

* * *

Há muito que tinha deixado de fumar, mas agora apetecia-lhe um. As trovoadas tinham-lhe dado cabo da azeitona. Pouca tinha sobrado. Um ano inteiro a tratar das oliveiras, e nada. Ou quase nada. Comparado com isso que mal lhe faria um cigarro? «Raios partam esta vida e quem a inventou». «Ó homem, tem calma. Não é a primeira, nem há-de ser a última vez que há trovoadas. Já nos aconteceu o mesmo e ainda aqui andamos»...

* * *

Mal via a água. Ouvia-a. «Pouca-terra, pouca-terra, pouca-terra». Era o comboio. «Deixá-lo ir... apanho o próximo. Aliás, tenho mesmo de embarcar noutro comboio»...

* * *

Na soleira do monte, boina puxada para a nuca, esticou-se para o céu. Lá estavam as estrelas. «Maganas. Se não fossem vocês»... O rafeiro veio ter com ele. Fez-lhe uma festa: «Então, companheiro... Vamos descansar. Amanhã é outro dia».

A Tasca do Montinho no «Expresso»

Há cinco anos que o Expresso edita o livro «Boa Cama, Boa Mesa» onde divulgam os melhores restaurantes (no entender do júri) e os melhores sítios para se dormir.
Este ano, na região alentejana, o vencedor foi a Tasquinha do Oliveira, em Évora, mas num honroso segundo lugar ex-equo aparece a Tasca do Montinho.
Estão de parabéns a Maria José e o Fava, pelo reconhecimento e estamos nós pelo privilégio de os ter ao pé da porta.
Acresce que, no que diz respeito aos restaurantes da zona de Lisboa, o «Garfo de Ouro» também calhou a outros amigos: D. Gestrudes e Henrique, do Galito, nascido na Serra d'Ossa, mas há muito a divulgar a gastronomia alentejana pela zona de Lisboa.
Aos dois parabéns e obrigado.

sábado, maio 03, 2008


Velhos são os trapos


Ontem, eu e o Manuel fomos ao Lar da Santa Casa fazer uma visita ao vizinho Zé e à mulher. Já há umas semanas que se «mudaram» para lá - se bem que só durante o dia - e o Manuel andava um bocado intrigado com a sua ausência. Quando os viu perguntou-lhes «o que é que estão aqui a fazer?»... Uma questão que ficou sem resposta.


Hoje no Público, o Carlos Dias escreve um artigo sobre aldeias-lar. Uma ideia interessante que começa agora a dar os primeiros passos. (carregar na imagem para aumentar)

sexta-feira, maio 02, 2008


A tradição já não é o que era


Escrever cartas caiu em desuso. E, pior que isso - para os serviços postais -, também caíram os lucros das empresas distribuidoras de correio. Portanto, não espanta que apareçam campanhas de publicidade apelando a que as pessoas não se deixem de escrever.
De facto, os mails, os telemóveis, os «spike» e etc, vieram revolucionar a forma como nos comunicamos. Hoje, receber uma carta é, quase sempre, sinónimo de uma conta para pagar, ou, na melhor das hipóteses, um qualquer «convite» para comprar qualquer coisa.

Pela criatividade, beleza e eficácia, deixo-vos este anúncio dos correios australianos. E, por favor, escrevam o que vos vai na alma. Nem que seja por mail...

sexta-feira, abril 25, 2008


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, abril 24, 2008


Textos Alentejanos


Para Miguel Urbano Rodrigues, João Honrado é «o mais alentejano dos alentejanos». Para mim é apenas, e tão só, o João. Aqule que há cerca de 30 anos me telefonou de Beja para Lisboa e disse: «caga nesse gajo. Faz a mala e vem para baixo que, depois, eu trato disso»... O «gajo», no caso, é o autor do prefácio deste seu livro - Miguel Urbano Rodrigues à altura director de «o diário» - e a conversa tinha a ver com um desafio para trabalhar no Diário do Alentejo que acabaria por não aceitar. Infelizmente, esta minha decisão «atrasou» a minha vinda para o Alentejo cerca de 20 anos...

No entanto, o João, nunca me «cobrou» nada pela minha «cobardia adolescente». Antes pelo contrário, sempre que nos encontravamos falava-me como se essa questão nunca se tivesse posto.

Um dia, já em Avis, apareceu com vários originais para fazer um livro sobre Catarina Eufémia. À hora do almoço virou-se para mim e disse: «telefona aí ao Bartolomeu para irmos almoçar com ele». É certo que já sabia quem era «o Bartolomeu», mas nunca tinha falado com ele e muito menos tinha o seu número de telefone. Após alguns telefonemas, lá consegui o contacto do ex-presidente da Câmara e passados alguns minutos estavamos sentados à mesa, no Silvas, em Benavila. Já não se viam há uns anos, mas a conversa começou como se tivessem falado no dia anterior.

Ontem, em Beja, ofereceu-me o seu último livro. Recebi-o com agrado. Não que seja um escritor de alto gabarito, mas, acima de tudo, porque - mesmo sem ainda o ter lido - quase de certeza é uma obra que transpira Alentejo por todos os poros. E, nestes tempos de amnésia generalizada, é importante que não se perca uma certa memória de «Alentejo».

Quem o quiser adquirir pode fazê-lo enviando um pedido para jornal@alentejopopular.com .pt.

quinta-feira, abril 17, 2008

Sporting, 5 - Benfica, 3

A todos aqueles que me telefonaram, enviaram sms e mails, as operadoras de comunicações a operar no mercado agradecem. Eu, nem por isso...

sábado, abril 12, 2008

Mais uma vez deixei passar o prazo... para o ano há mais


Quem me diz o qu’ é preciso?
Quem m’afaga o meu penar?
Quem me mostra o Paraíso?
Quem me ajuda a acreditar?
E ainda há quem diga que os benfiquistas não gostam dos sportinguistas...

quarta-feira, abril 09, 2008

sexta-feira, abril 04, 2008

Tristezas não pagam dívidas...

Clic também aqui
Já nem com a família se pode contar.

Os meus dois primos (este e este) andam a falhar um bocado. Vamos lá a dar ao dedo. Isto de ganhar fama e deitarem-se à sombra da bananeira tem de acabar...

Coisas que não têm preço (1)


Todos nós temos coisas que não têm preço - e não me refiro a pessoas ou sentimentos. Um quadro, um boneco, um livro, um disco, sei lá eu...

No que me diz respeito, tenho várias. A começar pela «minha» colecção de elefantes, passando por um exemplar da primeira edição do policial «A Mão Esquerda do Diabo» de Dennis McShade (pseudónimo de Diniz Machado) e acabando neste disco, agora autografado pelo Fausto.

Foi o primeiro LP que comprei (nos princípios de 70) apenas porque tinha uma canção que na altura passava na rádio e da qual eu gostava particularmente: Ó Pastor que Choras.

Três décadas depois, num almoço «arranjado» por amigo comum, pedi ao autor para o autografar. Se, até agora, este disco era uma das «coisas» que nunca deixava para trás, agora não tem preço.

Lanço o repto, aos leitores de O Maranhão, para partilharem connosco, as suas coisas «sem preço». O mail está lá em cima: maranhao@iol.pt