
O Elias de 14 de Novembro, no JN

estória curta (4)
Hoje fui à Feira do Ervedal. Contaram-me que, este ano, a feira «calhou» no seu dia. Ou seja: tradicionalmente era sempre a 18 de Outubro. Depois as coisa mudaram e passou a ser em fim-de-semana certo. O tempo está de feição para que lá vá muita gente. Até o Lajeira por lá arribou, para além do senhor vereador e outros ilustres ervedalenses.
O puto quis andar no carrocel. Com muita pena minha, que o tentei convencer a andar nos carrinhos de choques para eu apanhar boleia. Ele não foi na conversa e trocou os encontrões da pista grande pelo carro de bombeiros do círculo ao lado.
A minha «antiga» terra não tinha feira. Tinha um mercado todas as quartas-feiras, com tudo e mais alguma coisa à venda, com ciganos e tendeiros, tal como aqui, mas não era uma feira.
Uma feira é – mais que um local – um dia. Um dia de reencontros como os que eu vi no café do Sérgio. Entre cunhados e primos, irmãos e genros que, por mor da «feira», foram à terra.
Infelizmente, para mim, trabalhei pouco tempo com o Carlos Pinhão. O jornalista de «A Bola» que dispensa apresentações, era aquilo que se pode chamar um «alfacinha de gema». Numa das muitas estórias que deixou publicadas em vários jornais, recordo-me de uma em que dizia que quando era criança de escola e o Verão chegava se sentia triste porque todos os seus amigos «iam para a terra» e ele, filho e neto de lisboetas, não podia fazer o mesmo.
É por isso que eu costumo dizer que sou de onde me apetecer. E hoje, durante umas horas, apeteceu-me ser do Ervedal...
Estória curta (3)
Crianças e sopas são coisas que não ligam. Ou não ligavam. Teria para aí uns cinco anos quando me foi apresentada uma de favas ao jantar. O cenário era o mesmo de sempre: a mesa composta com a tradicional toalha aos quadradinhos, tinha ao centro o cesto do pão. Os pratos dispostos à volta eram levantados para serem servidos um a um que a panela fumegante estava ali mesmo ao lado, em cima do fogão.
Resolvi dizer que não gostava da ementa. «Vá lá, prova que vais gostar»... disseram-me ainda a boas. Que não, de certeza que não gostava, insisti a esticar a corda. A táctica da minha mãe foi mudando – da contenção passou ao ataque em menos de nada. «Só te levantas daí quando comeres». O ambiente estava a ficar quente e as favas frias. O meu pai, à cabeceira, terminou a janta sem uma palavra. Levantou-se e, como de costume, foi ler as notícias requentadas de um SÉCULO qualquer. Pensei que era o sinal para insistir: «Não tenho fome». Não pegou! «Fome arranja-se sempre»... Horas depois, com o sono aliado à casmurrice, tinha-se atingido o ponto de retorno. A palmada antecedeu a ordem de marcha para a cama «de barriga vazia». Devo ter pensado que tinha empatado o jogo: tinha levado uma «galheta» mas as favas continuavam no prato. Puro engano, ainda só estávamos no intervalo. De manhã, depois da passagem pela casa de banho, o leite e o pão com marmelada, tinham-se transformado em favas... Pensei rápido e percebi que ia perder um dia de brincadeiras a olhar para um prato de sopa. Resmunguei qualquer coisa, numa última tentativa para fintar as favas, mas lá acabei por comer. Tinha-me ido abaixo das canetas na segunda parte do jogo. O «adversário» era muito mais consistente.
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Ontem fui à Feira das Sopas na sede do Agrupamento de Escolas Mestre de Avis. Provei três: canja de galinha, sopa da pedra e, claro, a do Alcórrego, o creme de alface com pão torrado e ovo batido. Todas boas, mas, claramente, a última bateu as outras aos pontos.












