Como a vida está cara...
Aqui fica uma nota só
domingo, março 30, 2008
sábado, março 29, 2008
Blogagem
Os blogs são espaços individuais de reflexão. Mas não são todos iguais. Existem uns mais iguais que os outros...
Por exemplo: o maranhão pertence à família do desabafos e do castelo. São blogs que embora não sendo assinados pelos nomes verdadeiros dos seus «donos», na generalidade, os leitores sabem quem eles são, quer por «sinais» que vão deixando voluntariamente transparecer nos posts, quer por, em uma ou outra ocasião, terem assumido a sua autoria.
Depois existem outros que, ao contrário destes, tudo fazem para permanecer no anonimato mais profundo. E, vivendo nós em liberdade, têm todo o direito de o fazer. No entanto, é também o facto de vivermos em liberdade, e sem nada a temer por expressar as nossas opiniões, que nos permite perguntar que tipo de motivação, medo ou seja lá o que for, leva um indivíduo a optar por não dar a cara.
Por norma estes blogs têm caixa de comentários onde os «comentadores» de serviço puxam a brasa à sua sardinha. Anonimamente, quase sempre.
O maranhão, tem todo o gosto em receber correspondência dos seus leitores, mas via mail.Não para fazer censura, mas para aquilatar da oportunidade e civilidade do texto a publicar. É que como disse ao princípio, os blogs são a casa de cada um, e cada um manda na sua casa.
Aqui fica a minha morada: maranhao@iol.pt
Os blogs são espaços individuais de reflexão. Mas não são todos iguais. Existem uns mais iguais que os outros...
Por exemplo: o maranhão pertence à família do desabafos e do castelo. São blogs que embora não sendo assinados pelos nomes verdadeiros dos seus «donos», na generalidade, os leitores sabem quem eles são, quer por «sinais» que vão deixando voluntariamente transparecer nos posts, quer por, em uma ou outra ocasião, terem assumido a sua autoria.
Depois existem outros que, ao contrário destes, tudo fazem para permanecer no anonimato mais profundo. E, vivendo nós em liberdade, têm todo o direito de o fazer. No entanto, é também o facto de vivermos em liberdade, e sem nada a temer por expressar as nossas opiniões, que nos permite perguntar que tipo de motivação, medo ou seja lá o que for, leva um indivíduo a optar por não dar a cara.
Por norma estes blogs têm caixa de comentários onde os «comentadores» de serviço puxam a brasa à sua sardinha. Anonimamente, quase sempre.
O maranhão, tem todo o gosto em receber correspondência dos seus leitores, mas via mail.Não para fazer censura, mas para aquilatar da oportunidade e civilidade do texto a publicar. É que como disse ao princípio, os blogs são a casa de cada um, e cada um manda na sua casa.
Aqui fica a minha morada: maranhao@iol.pt
sexta-feira, março 28, 2008
Desertificação
Avisa-nos o Desabafos que as Finanças correm o risco de fechar.
Lembra-nos o Do Castelo que o Retiro da Ponte está «a cair aos bocados».
Preocupa-se o Tudo e mais alguma coisa com o fecho do Água Doce.
Para mim, todas estas notícias são faces da mesma moeda. Não partilho de todo a opinião de Sarsfield Cabral que, há dias no Público, se vergava à inevitabilidade do êxodo das populações do inteiror para o litoral.
Cada um fala por si. Que ele não consiga, ou não queira, descobrir uma solução para o problema, é uma coisa; Eu, na minha modesta opinião, acho que não se deve deitar a toalha ao chão.
Estou até convencido que é de todo o interesse nacional, não só criar as condições para que as populações se mantenham no interior, mas também «aliciar» cada vez mais gente para trocar a «grande cidade» pelo «campo».
Com mais gente a viver nos pequenos centros urbanos, vários problemas seriam só por isso resolvidos.
A História está cheia de exemplos de povoamentos e repovoamentos de determinados espaços geográficos. A presença humana é condição sine qua non para que haja desenvolvimento.
Há que ter imaginação – a começar pelo Poder Local – e oferecer as «motivações» adequadas aos tempos que correm.
Por mim (agora que as necessidades básicas das populações ao nível da distribuição de água, saneamento, caminhos, etc... estão generalizados) votaria de bom grado numa lista que apresentasse como um dos principais pontos do seu programa, propostas com vista ao «repovoamento» do território.
Avisa-nos o Desabafos que as Finanças correm o risco de fechar.
Lembra-nos o Do Castelo que o Retiro da Ponte está «a cair aos bocados».
Preocupa-se o Tudo e mais alguma coisa com o fecho do Água Doce.
Para mim, todas estas notícias são faces da mesma moeda. Não partilho de todo a opinião de Sarsfield Cabral que, há dias no Público, se vergava à inevitabilidade do êxodo das populações do inteiror para o litoral.
Cada um fala por si. Que ele não consiga, ou não queira, descobrir uma solução para o problema, é uma coisa; Eu, na minha modesta opinião, acho que não se deve deitar a toalha ao chão.
Estou até convencido que é de todo o interesse nacional, não só criar as condições para que as populações se mantenham no interior, mas também «aliciar» cada vez mais gente para trocar a «grande cidade» pelo «campo».
Com mais gente a viver nos pequenos centros urbanos, vários problemas seriam só por isso resolvidos.
A História está cheia de exemplos de povoamentos e repovoamentos de determinados espaços geográficos. A presença humana é condição sine qua non para que haja desenvolvimento.
Há que ter imaginação – a começar pelo Poder Local – e oferecer as «motivações» adequadas aos tempos que correm.
Por mim (agora que as necessidades básicas das populações ao nível da distribuição de água, saneamento, caminhos, etc... estão generalizados) votaria de bom grado numa lista que apresentasse como um dos principais pontos do seu programa, propostas com vista ao «repovoamento» do território.

Ler jornais é saber mais?
Às vezes é. E desta vez (Outubro de 2006) aponte teve razão antes de tempo. Há ano e meio o céu apresentava-se muito «nublado», segundo palavras de um membro da Comissão de Trabalhadores da Delphi. Infelizmente, o tempo não apresentou melhorias.
A mesma notícia dizia ainda: «aponte soube junto de fontes da empresa [Lactogal] que a data provável para o encerramento da unidade fabril será durante o ano de 2009». Não actredito, mas espero que, neste caso, a notícia esteja errada.
Fica, portanto, provado - tal como diz o «nosso» primeiro-ministro - que o «número líquido» de empregos não pára de aumentar em Portugal. É uma pena Avis e Ponte de Sor, ficarem noutro país. O país real.
quinta-feira, março 27, 2008
Património degradado
Neste blog cá do burgo existe uma saudável (nem sempre...) discussão acerca do estado do património edificado na vila de Avis.
Se atendermos apenas ao Centro Histórico - e convenhamos que não seria nada mau - constatamos que se o Estado, o Patriarcado e os Lopes cuidassem daquilo que é deles o panorama seria completamente diferente. Para melhor.
Ora, qualquer um destes três proprietários referidos, têm certamente mais dinheiro que 90 por cento da população da freguesia junta. Não seria de mau tom que assumissem as suas responsabilidades sociais e tratassem de recuperar aquilo que sendo seu, pertence a todos.
Mas como já não acredito no Pai Natal, resta-me esperar sentado (ao computador) e dizer aos nossos governantes (quando falam da desertificação do interior) à Igreja (quando diz que se preocupa com os mais desfavorecidos) e aos Lopes (que não dizem nada, mas deviam dizer) que para todos haverá o «tal dia» do juízo final.
Talvez não seja é onde eles pensam que é...
Neste blog cá do burgo existe uma saudável (nem sempre...) discussão acerca do estado do património edificado na vila de Avis.
Se atendermos apenas ao Centro Histórico - e convenhamos que não seria nada mau - constatamos que se o Estado, o Patriarcado e os Lopes cuidassem daquilo que é deles o panorama seria completamente diferente. Para melhor.
Ora, qualquer um destes três proprietários referidos, têm certamente mais dinheiro que 90 por cento da população da freguesia junta. Não seria de mau tom que assumissem as suas responsabilidades sociais e tratassem de recuperar aquilo que sendo seu, pertence a todos.
Mas como já não acredito no Pai Natal, resta-me esperar sentado (ao computador) e dizer aos nossos governantes (quando falam da desertificação do interior) à Igreja (quando diz que se preocupa com os mais desfavorecidos) e aos Lopes (que não dizem nada, mas deviam dizer) que para todos haverá o «tal dia» do juízo final.
Talvez não seja é onde eles pensam que é...

Pois é...
se fossem realmente bons, se calhar, estavam na selecção brasileira. Como provavelmente o não são, jogam na portuguesa só para nos entalar. Os dois golos gregos nasceram de duas faltas (desnecessárias) produzidas por Pepe e Bruno Alves e, como se não bastasse, na baliza - a orientar a barreira e a tentar «não» se fazer à bola - estava essa brilhante invenção do Scolari que dá pelo nome de Ricardo...
Só para chatear, os três golos do desafio, cheiraram a Benfica, só para calar o António Tadeia (lagarto até mais não poder...) que passou o jogo todo a querer substituir o Nuno Gomes. Azar!
Agora é só fazer as contas: se apenas com um jogador do Glorioso a selecção fez um golo, imaginem o que seria se lá houvessem mais.
Ah! e se com «uma espécie de guarda-redes» sofremos dois, se lá estivesse o Quim, outro galo cantaria...
terça-feira, março 25, 2008
segunda-feira, março 24, 2008
Feriado Municipal
Hoje foi feriado municipal (FM) numa dúzia de concelhos alentejanos (Avis, Borba, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Cuba, Mora, Nisa, Ponte de Sor, Portel, Redondo, Sousel).
Amanhã é a vez de Serpa ter o seu FM. Devem-se ter atrasado, mas, no caso, há males que vêm por bem. Ponte. Quer dizer: ponto.
Hoje foi feriado municipal (FM) numa dúzia de concelhos alentejanos (Avis, Borba, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Cuba, Mora, Nisa, Ponte de Sor, Portel, Redondo, Sousel).
Amanhã é a vez de Serpa ter o seu FM. Devem-se ter atrasado, mas, no caso, há males que vêm por bem. Ponte. Quer dizer: ponto.
sábado, março 22, 2008
Com um dia de atraso - ontem foi Dia Mundial da Poesia - aqui fica um lindíssimo poema de Eugénio de Andrade, do livro «O Outro Lado da Terra».
As Amoras
O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.
As Amoras
O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.
sexta-feira, março 21, 2008
Anúncio
Pavilhão Industrial para venda em Monforte (licenciado)
com 800 m2-interior
1500m2 de área exterior
com 9m de pé direito
com WC
Refeitório
salas para escritório
entrada para camiões
todo vedado
pronto a utilizar.
Preço 220.000€.
Negociavel
Proprietário a contactar:
José Braz 96 3921123
jbrazc.ceramicas@sapo.pt
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segunda-feira, março 17, 2008
É preciso acreditar
O título acima é o tema dos próximos jogos florais da ACA (Amigos do Concelho de Aviz). O prazo para concorrer só acaba a 11 de Abril. No que toca aqui ao escriba, pensei em concorrer na categoria de «conto», mas os primeiros escritos não me agradaram o suficiente para os levar a concurso. No entanto, deixo aqui no blog, a tal «tentativa falhada». Pode ser que até ao final do prazo, se arranje mais qualquer coisa...
O título acima é o tema dos próximos jogos florais da ACA (Amigos do Concelho de Aviz). O prazo para concorrer só acaba a 11 de Abril. No que toca aqui ao escriba, pensei em concorrer na categoria de «conto», mas os primeiros escritos não me agradaram o suficiente para os levar a concurso. No entanto, deixo aqui no blog, a tal «tentativa falhada». Pode ser que até ao final do prazo, se arranje mais qualquer coisa...
Janeiro de 2008
São oito e meia da manhã do segundo dia do ano. À porta de uma velha fábrica de confecções os trabalhadores vão-se juntando. Homens e mulheres. Uns, mais velhos, outros, nem tanto. As Festas tinham sido passadas em família, como sempre. Como sempre não! Este ano, os três meses de ordenado em atraso, não deixaram que a alegria se sentasse à mesa da consoada.
As crianças contentaram-se com o «tal» presente, mas, na ementa, o habitual camarão cozido não fez companhia ao bacalhau com as couves. O vinho foi o de todos os dias - do garrafão - ao contrário de outros anos em que se abria uma garrafa daquelas com rótulos bonitos e de preferência com a palavra «reserva» impressa a letras douradas.
No último dia do ano, a angústia foi ainda maior. A menos de 24 horas de pegar ao trabalho, as dúvidas de que isso acontecesse eram mais que muitas.
Agora era certo. A presença dos repórteres e dos carros de exteriores das televisões, prontos para entrar em directo, confirmavam o que todos temiam: a fábrica tinha fechado. Cinquenta anos depois de nascer com pompa e circunstância, morria sem honra nem glória.
«O que é que a malta vai fazer, Chico»? – questionava-se Antunes, 55 anos, há mais de quarenta a trabalhar na fábrica.
«Ó pá, não sei. Só sei que tenho direito à vida e faço questão de a viver», respondeu o camarada, dez anos mais novo, também ele com mais de vinte «de casa».
«Já não somos novos»... insistiu Antunes.
«Velhos são os trapos, e nós até trabalhámos uma data de anos com eles», retorquiu Chico ensaiando uma piada fácil.
«Tens razão: velhos são os trapos. Nós somos descartáveis»...
*
A ambulância entrou com pressa no recinto da urgência. Passavam cinco minutos da meia-noite. O motorista e o maqueiro procederam como habitualmente e transportaram a grávida para dentro do edifício.
Minutos volvidos, o mesmo movimento, mas em sentido contrário. Parturiente dentro da carrinha, luzes a acender e a apagar, sirene a tocar, e «ala que se faz tarde».
Há uma criança que quer nascer e ainda é preciso fazer 30 quilómetros até à maternidade mais próxima. Com sorte, vai tudo correr bem...
*
Uma ultrapassagem pela direita, uma operação stop, um agente da BT a fazer sinal para parar, um sopro, e zás! Um artista apanhado nas malhas da lei. O Reveillon já era. Agora era o «chui» quem gozava. Dois dias depois, no tribunal, o juiz, condescendente, condena-o a 40 horas de trabalho comunitário e ao pagamento de 400 euros a uma instituição de solidariedade.
Apesar de tudo teve sorte. Bem vistas as coisas, com os copos e a conduzir, mais vale ser apanhado pela Brigado do que sair disparado da estrada contra um poste de iluminação pública...
*
Na televisão a bonita apresentadora dá início à extracção dos números do Totoloto. No café do Henrique, os clientes são poucos àquela hora. Mesmo assim cumpre-se o ritual: põem-se a jeito os boletins da sociedade, faz-se silêncio, e apontam-se os números.
«Porra! ‘inda não foi desta»... refila o dono do estabelecimento pela última vez nesse ano.
Um ano depois
Antunes e Chico voltaram à «escola» para tentar uma nova oportunidade Com outros camaradas da velha fábrica lançaram mãos a uma pequena oficina têxtil. Trabalham, essencialmente, para novos estilistas. O convívio com a «malta nova» abriu-lhes horizontes e deu-lhes uma janela de esperança.
Antunes, na fila do supermercado, à espera de vez para comprar o leitão, pensa para com os seus botões: «Estive eu quase a desistir»...
*
Será menina ou menino? Com apenas um ano é difícil perceber pelas feições, e até a cor da vestimenta pouco ajuda. No jardim, a criança corre, atabalhoadamente, com a mão na mão da mãe.
Há um ano a correria foi outra, de ambulância. Nasceu a meio caminho entre uma urgência fechada «sem condições» e uma maternidade aberta e equipada com «tudo o que há de melhor».
Para a mãe foi uma hora com minutos a mais; Para os dois jovens bombeiros foi «o dia mais feliz» das suas vidas - como fizeram questão de dizer, ao vivo e a cores, em todos os telejornais; Para o bebé, foi apenas o primeiro acidente de percurso, dos muitos que irá encontrar durante a vida.
Só tem de fazer, a cada vez, aquilo que fez na primeira: dizer sim à vida.
*
Está a chegar ao fim o «ano sabático» do artista. As 40 horas de trabalho comunitário foram passadas num hospital da capital a fazer rir os miúdos internados no serviço de pediatria.
Na verdade não foram 40. Foram muitas mais. Depressa a «sentença» se transformou em gosto, e continuou a ir lá todas as semanas.
Ainda bem que o juiz acreditou que ele se podia regenerar. Evitou-se uma prisão e ganhou-se um «voluntário».
*
Henrique de papel na mão confere os relapsos na sociedade do Totoloto - «Faltam dois pagar. Se não vierem cá hoje acertar as contas, são excluídos da sociedade. Quem quer, quer, e quem não quer, não quer. E quem não acreditar, não faz cá falta nenhuma»...
São oito e meia da manhã do segundo dia do ano. À porta de uma velha fábrica de confecções os trabalhadores vão-se juntando. Homens e mulheres. Uns, mais velhos, outros, nem tanto. As Festas tinham sido passadas em família, como sempre. Como sempre não! Este ano, os três meses de ordenado em atraso, não deixaram que a alegria se sentasse à mesa da consoada.
As crianças contentaram-se com o «tal» presente, mas, na ementa, o habitual camarão cozido não fez companhia ao bacalhau com as couves. O vinho foi o de todos os dias - do garrafão - ao contrário de outros anos em que se abria uma garrafa daquelas com rótulos bonitos e de preferência com a palavra «reserva» impressa a letras douradas.
No último dia do ano, a angústia foi ainda maior. A menos de 24 horas de pegar ao trabalho, as dúvidas de que isso acontecesse eram mais que muitas.
Agora era certo. A presença dos repórteres e dos carros de exteriores das televisões, prontos para entrar em directo, confirmavam o que todos temiam: a fábrica tinha fechado. Cinquenta anos depois de nascer com pompa e circunstância, morria sem honra nem glória.
«O que é que a malta vai fazer, Chico»? – questionava-se Antunes, 55 anos, há mais de quarenta a trabalhar na fábrica.
«Ó pá, não sei. Só sei que tenho direito à vida e faço questão de a viver», respondeu o camarada, dez anos mais novo, também ele com mais de vinte «de casa».
«Já não somos novos»... insistiu Antunes.
«Velhos são os trapos, e nós até trabalhámos uma data de anos com eles», retorquiu Chico ensaiando uma piada fácil.
«Tens razão: velhos são os trapos. Nós somos descartáveis»...
*
A ambulância entrou com pressa no recinto da urgência. Passavam cinco minutos da meia-noite. O motorista e o maqueiro procederam como habitualmente e transportaram a grávida para dentro do edifício.
Minutos volvidos, o mesmo movimento, mas em sentido contrário. Parturiente dentro da carrinha, luzes a acender e a apagar, sirene a tocar, e «ala que se faz tarde».
Há uma criança que quer nascer e ainda é preciso fazer 30 quilómetros até à maternidade mais próxima. Com sorte, vai tudo correr bem...
*
Uma ultrapassagem pela direita, uma operação stop, um agente da BT a fazer sinal para parar, um sopro, e zás! Um artista apanhado nas malhas da lei. O Reveillon já era. Agora era o «chui» quem gozava. Dois dias depois, no tribunal, o juiz, condescendente, condena-o a 40 horas de trabalho comunitário e ao pagamento de 400 euros a uma instituição de solidariedade.
Apesar de tudo teve sorte. Bem vistas as coisas, com os copos e a conduzir, mais vale ser apanhado pela Brigado do que sair disparado da estrada contra um poste de iluminação pública...
*
Na televisão a bonita apresentadora dá início à extracção dos números do Totoloto. No café do Henrique, os clientes são poucos àquela hora. Mesmo assim cumpre-se o ritual: põem-se a jeito os boletins da sociedade, faz-se silêncio, e apontam-se os números.
«Porra! ‘inda não foi desta»... refila o dono do estabelecimento pela última vez nesse ano.
Um ano depois
Antunes e Chico voltaram à «escola» para tentar uma nova oportunidade Com outros camaradas da velha fábrica lançaram mãos a uma pequena oficina têxtil. Trabalham, essencialmente, para novos estilistas. O convívio com a «malta nova» abriu-lhes horizontes e deu-lhes uma janela de esperança.
Antunes, na fila do supermercado, à espera de vez para comprar o leitão, pensa para com os seus botões: «Estive eu quase a desistir»...
*
Será menina ou menino? Com apenas um ano é difícil perceber pelas feições, e até a cor da vestimenta pouco ajuda. No jardim, a criança corre, atabalhoadamente, com a mão na mão da mãe.
Há um ano a correria foi outra, de ambulância. Nasceu a meio caminho entre uma urgência fechada «sem condições» e uma maternidade aberta e equipada com «tudo o que há de melhor».
Para a mãe foi uma hora com minutos a mais; Para os dois jovens bombeiros foi «o dia mais feliz» das suas vidas - como fizeram questão de dizer, ao vivo e a cores, em todos os telejornais; Para o bebé, foi apenas o primeiro acidente de percurso, dos muitos que irá encontrar durante a vida.
Só tem de fazer, a cada vez, aquilo que fez na primeira: dizer sim à vida.
*
Está a chegar ao fim o «ano sabático» do artista. As 40 horas de trabalho comunitário foram passadas num hospital da capital a fazer rir os miúdos internados no serviço de pediatria.
Na verdade não foram 40. Foram muitas mais. Depressa a «sentença» se transformou em gosto, e continuou a ir lá todas as semanas.
Ainda bem que o juiz acreditou que ele se podia regenerar. Evitou-se uma prisão e ganhou-se um «voluntário».
*
Henrique de papel na mão confere os relapsos na sociedade do Totoloto - «Faltam dois pagar. Se não vierem cá hoje acertar as contas, são excluídos da sociedade. Quem quer, quer, e quem não quer, não quer. E quem não acreditar, não faz cá falta nenhuma»...
sexta-feira, março 14, 2008
Já há um protocandidato à Câmara de Avis...
o próprio disse...
Se um dia me candidatar será o meu "mote" de campanha, até lá não posso divulgar as minhas armas secretas... ;)
12 de Março de 2008 21:25
o próprio disse...
Se um dia me candidatar será o meu "mote" de campanha, até lá não posso divulgar as minhas armas secretas... ;)
12 de Março de 2008 21:25
quinta-feira, março 13, 2008
Pronto, está bem, eu pago a aposta...
Apesar de não acreditar em tal coisa, apostei que o Glorioso passava a eliminatória contra o Getafe, Gefafe ou lá como se chama aquele clubito dos «espanhuelos».
Infelizmente, Camacho continuou a ter razão: os jogadores não se empenharam o suficiente para conseguirem mais do que um remate (?) ao poste.
No final do jogo, já com a farda número 1 (fato e gravata) vestida, Nuno Gomes explicou que o plantel «não estava bem fisicamente».
Não me digas! A malta ainda não tinha percebido...
Apesar de não acreditar em tal coisa, apostei que o Glorioso passava a eliminatória contra o Getafe, Gefafe ou lá como se chama aquele clubito dos «espanhuelos».
Infelizmente, Camacho continuou a ter razão: os jogadores não se empenharam o suficiente para conseguirem mais do que um remate (?) ao poste.
No final do jogo, já com a farda número 1 (fato e gravata) vestida, Nuno Gomes explicou que o plantel «não estava bem fisicamente».
Não me digas! A malta ainda não tinha percebido...
terça-feira, março 11, 2008
Uma papoila
Há já algumas semanas que giestas, azedas e mimosas estão em flor no Alentejo. A D. olhava a planície verde-amarela e dizia: «A falta que faz uma papoila».
Post roubado ao meu amigo Bandeira
Há já algumas semanas que giestas, azedas e mimosas estão em flor no Alentejo. A D. olhava a planície verde-amarela e dizia: «A falta que faz uma papoila».
Post roubado ao meu amigo Bandeira
segunda-feira, março 10, 2008
sexta-feira, março 07, 2008
quinta-feira, março 06, 2008
Uma do baú para descontrair
Ora então, caros ouvintes, bem vindos ao programa «Gente Ordinária» do «Rádio Clube Lá Vai Alho de Cima», um formato que a malta ouviu na CBS – com o nome Ordinary People – e como gostou muito fizemos igualinho...
Hoje, em pleno campo, à beira da auto-estrada A55, temos connosco o mestre Cachaporra Bolota com quem vamos trocar algumas palavras.
(separador)
- Boa noite, mestre Cachaporra...
- Boa noite.
- Olhe...
- Olhe não! Ouça. Qu’eu saiba estas lérias são para um programa de rádio...
- Tem muita razão. Ouça..
- Já ouvi, porra!... Afinal o que é que vocemecê me quer?
- Bem... só o queria entrevistar...
- (O homem não anda bom...) Mas não me disse que isto é para a telefonia?! Quanto muito vocemecê quer-me entrouvistar...
- Também está bem visto...
- E ele a dar-lhe!... Na rádio não se vê nada. Para se ver qualquer coisa, mesmo com chuva, tem de ser na televisão...
- Pronto, tem razão, ok, já percebi... Comecemos então: Mestre Cachaporra, qual é a sua profissão?
- Sou pastor.
- E... pasta o quê?
- ... (Eu não disse que homem não anda bom. Está mesmo a pedi-las) Pastor, está entendendo?! Sacerdote, padre, ministro de Deus. Pastor...
- Aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh.... E de que Igreja?
- Da IVTFC
- IVTFC?!!!!!!!
- Sim. «Igreja do Vai Tudo à Frente do Cajado».
- O nome é bem curioso... Tem muitos seguidores?
- Quer-se dizer... o rebanhito não é nada mau... Mas dão muito trabalho. É preciso andar sempre de olho em cima deles. Mal nos descuidamos fazem logo merda.
- Merda?!!!!
- Sim! Merda, có-có, estrume... E depois, as estradas ficam cheias de bosta. Temos de concordar que dá mau aspecto para quem passa de carro... Alguns, mais impliquentos, até me acenam com’a dizer: «Então não tinhas outro sítio para ir fazer as necessidades?...»É claro que eu fico em broa e puxo logo do cajado para dar o justo correctivo ao rebanho, mas o mal já ficou feito...
- Depreendo daí que na sua igreja, fazer as necessidades é pecado...
- Não! Pecado, pecado não é, mas têm de o fazer no sítio certo: no campo, atrás do chaparro, no curral ou, vá lá, na Assembleia da República...
- Na Assembleia da República?!!!!
- Pois... Quer dizer, aí não tenho bem a certeza, mas como estou farto de ouvir dizer que aquilo é quase tudo uma cambada de carneiros, calculo que sim...
- Mas não são carneiros de verdade. É só em sentido figurado...
- Isso já não sei. Se têm de fazer o serviço em sentido, ou se é só figurado é lá com eles... Do meu rebanho sei eu: só cagam onde eu quero!
- E quantas cabeças são?
- Eu sei lá, são tantas...
- Tantas?! Essa é boa... Não me diga que o senhor não sabe contar... (com ar de gozo)
- Sei sim senhor! Sei contar até miles...
- Até miles!!!!! o que é que isso quer dizer?!!!!
- Ou te metes a miles, ou ainda levas com o cajado...
Ora então, caros ouvintes, bem vindos ao programa «Gente Ordinária» do «Rádio Clube Lá Vai Alho de Cima», um formato que a malta ouviu na CBS – com o nome Ordinary People – e como gostou muito fizemos igualinho...
Hoje, em pleno campo, à beira da auto-estrada A55, temos connosco o mestre Cachaporra Bolota com quem vamos trocar algumas palavras.
(separador)
- Boa noite, mestre Cachaporra...
- Boa noite.
- Olhe...
- Olhe não! Ouça. Qu’eu saiba estas lérias são para um programa de rádio...
- Tem muita razão. Ouça..
- Já ouvi, porra!... Afinal o que é que vocemecê me quer?
- Bem... só o queria entrevistar...
- (O homem não anda bom...) Mas não me disse que isto é para a telefonia?! Quanto muito vocemecê quer-me entrouvistar...
- Também está bem visto...
- E ele a dar-lhe!... Na rádio não se vê nada. Para se ver qualquer coisa, mesmo com chuva, tem de ser na televisão...
- Pronto, tem razão, ok, já percebi... Comecemos então: Mestre Cachaporra, qual é a sua profissão?
- Sou pastor.
- E... pasta o quê?
- ... (Eu não disse que homem não anda bom. Está mesmo a pedi-las) Pastor, está entendendo?! Sacerdote, padre, ministro de Deus. Pastor...
- Aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh.... E de que Igreja?
- Da IVTFC
- IVTFC?!!!!!!!
- Sim. «Igreja do Vai Tudo à Frente do Cajado».
- O nome é bem curioso... Tem muitos seguidores?
- Quer-se dizer... o rebanhito não é nada mau... Mas dão muito trabalho. É preciso andar sempre de olho em cima deles. Mal nos descuidamos fazem logo merda.
- Merda?!!!!
- Sim! Merda, có-có, estrume... E depois, as estradas ficam cheias de bosta. Temos de concordar que dá mau aspecto para quem passa de carro... Alguns, mais impliquentos, até me acenam com’a dizer: «Então não tinhas outro sítio para ir fazer as necessidades?...»É claro que eu fico em broa e puxo logo do cajado para dar o justo correctivo ao rebanho, mas o mal já ficou feito...
- Depreendo daí que na sua igreja, fazer as necessidades é pecado...
- Não! Pecado, pecado não é, mas têm de o fazer no sítio certo: no campo, atrás do chaparro, no curral ou, vá lá, na Assembleia da República...
- Na Assembleia da República?!!!!
- Pois... Quer dizer, aí não tenho bem a certeza, mas como estou farto de ouvir dizer que aquilo é quase tudo uma cambada de carneiros, calculo que sim...
- Mas não são carneiros de verdade. É só em sentido figurado...
- Isso já não sei. Se têm de fazer o serviço em sentido, ou se é só figurado é lá com eles... Do meu rebanho sei eu: só cagam onde eu quero!
- E quantas cabeças são?
- Eu sei lá, são tantas...
- Tantas?! Essa é boa... Não me diga que o senhor não sabe contar... (com ar de gozo)
- Sei sim senhor! Sei contar até miles...
- Até miles!!!!! o que é que isso quer dizer?!!!!
- Ou te metes a miles, ou ainda levas com o cajado...
terça-feira, março 04, 2008
segunda-feira, março 03, 2008
domingo, março 02, 2008

Ler Jornais é saber mais?...
Tem dias. Hoje, por exemplo, não. À excepção do JN, todos os outros jornais de expressão nacional, ignoram «democraticamente», nas chamadas à capa, a manifestação que o PCP organizou, ontem, em Lisboa.
Fosse eu leitor do DN e andasse distraído, até podia ser levado a pensar que tinha sido o Bloco de Esquerda a organizar o protesto, tal o destaque que dão ao Francisco Louçã. Critérios editoriais, dirão. Pois, digo eu...
sábado, março 01, 2008
A Moagem (ou o café do Garrafão) é tida por muitos em Avis, como a Casa dos Sportinguistas na vila. Mas é só aparência. Apesar de serem muitos os «lagartos» que frequentam o estabelecimento, sempre que se contam as espingardas os benfiquistas dão cabazada.
Na última jornada da taça UEFA, houve mosquitos por cordas já que os dois emblemas jogavam à mesma hora e só existe um televisor no café. A escolha acabou por privilegiar os sportinguistas o que levou alguns «lampiões» menos tolerantes a abandonar o estabelecimento.
Amanhã, dia de Sporting-Benfica, esse problema não se colocará. No entanto, haverá outro, quem sabe até mais difícil de resolver: a colocação das claques (quem vê o jogo sentado e quem fica de pé ao balcão...).
Aconselha-se os potenciais espectadores a irem cedo para o estádio (quer dizer café...) e não levarem very-ligths. Como o jogo é de alto risco e de prever engarrafamentos (refiro-me aos de cerveja e tinto).
Os adeptos do clube vencedor ficarão dispensados de pagar a despesa... (esta é mentira, foi só para assustar o Ricardo).
Que vença o melhor, que como toda a gente sabe é o Benfica.
Na última jornada da taça UEFA, houve mosquitos por cordas já que os dois emblemas jogavam à mesma hora e só existe um televisor no café. A escolha acabou por privilegiar os sportinguistas o que levou alguns «lampiões» menos tolerantes a abandonar o estabelecimento.
Amanhã, dia de Sporting-Benfica, esse problema não se colocará. No entanto, haverá outro, quem sabe até mais difícil de resolver: a colocação das claques (quem vê o jogo sentado e quem fica de pé ao balcão...).
Aconselha-se os potenciais espectadores a irem cedo para o estádio (quer dizer café...) e não levarem very-ligths. Como o jogo é de alto risco e de prever engarrafamentos (refiro-me aos de cerveja e tinto).
Os adeptos do clube vencedor ficarão dispensados de pagar a despesa... (esta é mentira, foi só para assustar o Ricardo).
Que vença o melhor, que como toda a gente sabe é o Benfica.

O Raposo era aquele tipo de homem que já não se fazem. Foi professor, mas distinguiu-se, acima de tudo, como presidente da Câmara de Aljustrel. Quando exerceu as funções de director do Diário do Alentejo, tive a sorte de o conhecer e com ele privar em algumas ocasiões.
Sentado à mesa, rodeado de amigos e petiscos, era um desfilar de estórias que nunca mais acabavam.
Certa vez confessou que só não deixava de fumar porque não queria correr o risco de «passar por parvo», caso, no futuro, se viesse a descobrir que o tabaco (como tantas outras coisas) afinal, fazia bem à saúde.
Achei que ele tinha toda a razão e, também eu, abracei a causa de não «passar por parvo». Mas a coisa está a ficar difícil. Agora, só de uma vezada, forma 30 cêntimos de aumento. Qualquer dia, um maço de SG Filtro, custa tanto como um bom bife de lombo e, até ver, ainda está por provar que o cigarrito faz bem ao físico.
Se calhar vou ter de fazer uma inflexão na minha luta e passar a fumar tabaco de enrrolar...
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